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O bebê humano nasce diferente dos demais animais, precisando do Outro que o abasteça dos cuidados físicos e emocionais (Mori J. S. M. et. al. 2023). Striano & Rochat (1999) consideram a origem da cognição social – o desenvolvimento da interação dos bebês – que se dá através de experiências compartilhadas com os seus cuidadores.


A interação dos bebês com pessoas e as suas atividades com objetos no primeiro ano de vida resulta no conhecimento que os levam à transição para a linguagem que se desenvolve no segundo ano de vida (13 a 24 meses), período em que começam a diferenciar objetos inanimados (Ex.: carrinhos, bola) de seres animados (Ex.: pessoas, animais), e a se relacionar com objetos, eventos e ampliar a conexão social com as pessoas (Bloom L., 2003). Assim, a aquisição da linguagem implica no desenvolvimento da cognição social, que se desenvolve na interação do bebê com seus cuidadores.

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Considerando que nos primeiros dois anos de vida, o desenvolvimento da cognição social e linguagem se dá através das diferentes fases da interação do bebê com seus pais e cuidadores por meio de atividades lúdicas e reciprocidade do olhar do bebê para o outro. O uso da tela (tablet, celular, TV) retira o bebê do seu contexto formado por objetos, pessoas e eventos fundamentais para o seu desenvolvimento.

 

Resultados de pesquisas recentes confirmam que bebês entre 12 e 18 meses de idade aprendem muito pouco através de vídeos programados para a sua faixa etária. Estudos demonstram que os bebês frequentemente não processam informações através da mídia como figuras, modelos e vídeos (DeLoache, 2004; Troseth et al., 2004), e que têm dificuldade em compreender a relação entre o que ver na tela e o mundo real (DeLoach, J. et al., 2010).

 

MacHarg et al., 2020, acompanhou o desenvolvimento do vocabulário de bebês na idade de 24 meses que eram expostos à tela (vídeo, tablet, celular) e avaliaram as suas funções executivas aos 36 meses, os resultados não corresponderam ao desenvolvimento esperado para a idade. Esses pesquisadores associaram os resultados ao aumento do uso da tela em substituição às atividades fundamentais para o desenvolvimento cognitivo como o brincar manipular objetos e brincar de faz de conta.

 

As crianças aprendem uma língua para expressar e compartilhar os seu pensamentos e sentimentos com outra pessoa e também para compreender os pensamentos e sentimentos do outro (Bloom, L., 1988).

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BIBLIOGRAFIA
Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP; 2023
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Mori J. S. M., Ojeda, R., Freire M. A. C.. A Construção de um lugar de enunciação a partir do trabalho interdisciplinar entre a musicoterapia e a fonoaudiologia intervenções estruturantes. In: O Bebê no Mundo Transdisciplinar, pp. 40. Instituto Langage,2023.

Rochat, P. & Striano, T. Social-Cognitive Development in the First Year. In: Early Social Cognition Understanding Others in the First Months of Life (Rochat, P.), pp. 3-34. Malwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum Assossiates Publishers, 1999.

Bloom L. The transition from infancy to language. pp.22. Cambridge University Press. 2003

DeLoache, J. S. Becoming symbol-minded. Trends in Cognitive Sciences, 8, 66-70, 2004

Troseth,G. L., & Pierroutsakos, S. L., & DeLoache, J. S. From innocent to the intelligent eye: The early development of pictorial competence. In: R.V. Kail (ed.), Advance in child development and behavior, Volume 32 (pp. 1-35). New York, NY: Academic Press. 2004

DeLoache, J. S., Chiong, C., Sherman K., Islam N., Vanderborgth M., Troseth,G. L., Strouse G. A., O’Doherty K. Do baby learn from baby media?. Psychological Science 21 (11) 1570-1574, 2010.

 

MacHarg G., Ribner A. D., Devine R., Hughes C.. Screen time and executive function in toddlerhood: A longitudinal study. Frontiers in Pychology, volume 11 (pp.1-9) 2020.
Bloom, L., 1988. What Is Language?. In: Language Disorders and Language Development (LAHEY, M.), pp. 1-19. New York: Macmillan Publishing Company.

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O uso de telas nos dois primeiros anos de

vida e o prejuízo para o desenvolvimento

sócio-cognitivo e linguagem

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​​​​A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desaconselha o uso de telas por parte de bebês: “O olhar e a presença da mãe/pai/família é vital e instintivo como fonte natural dos estímulos e cuidados do apego, não podem ser substituídos por telas e tecnologias”. Ainda aconselha: “Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames” (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2023).

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